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Artigo
06 - Autoconfiança
na Ginástica
Por
Elsa
Chincoya Teutli
A autoconfiança vai
se formando ao longo da vida e é fruto principal da
interpretação das experiências próprias, isto quer dizer
que no caso dos ginastas, que tenham o mesmo nível físico, técnico
e tático e que tenham tido os mesmo resultados esportivos, não
terão necessariamente o mesmo nível de confiança em seu
esporte, sendo que isto dependerá da interpretação que
tenham realizado dos mesmos.
Ter confiança não
garante que se ganhe ou se tenha um rendimento de 100%, no
entanto é importante tê-la para executar adequadamente o
trabalho no ginásio. Infelizmente na hora de entender o que
é a autoconfiança se comete uma infinidade de erros como:
acreditar que ter confiança é ganhar a competição e em
alguns casos, se chega ao extremo de achar que pode-se gabar
(triunfar), mesmo sendo evidente que não irá ganhar (e com
isto não se quer dizer que deve-se conformar-se, não).
Ter autoconfiança
é ter uma expectativa realista sobre o que se pode conseguir,
e isto não está relacionado com o que o ginasta espera
fazer, e sim com o que de forma realista esperam fazer.
O nível de confiança
que tem o ginasta de si mesmo sobre suas possibilidades de
conseguir e resolver diferentes situações de seu esporte,
afeta os níveis motivacionais, o gasto energético, as emoções,
pensamentos positivos, habilidade de concentração,
capacidade de luta/esforço, habilidade de manejo de pressão,
resistência física e possibilidade de lesões.
Um ginasta com
autoconfiança normalmente se fixa objetivos altos, atua
melhor nos momentos mais difíceis, atua diante das
adversidades com melhor capacidade (LOHER, 1991) e algo
importante é acreditar em suas capacidades para adquirir as
destrezas e a competência necessária, tanto mental como física.
Neste último ponto,
há que se considerar que se pode ter erros e escolha de
certas decisões equivocadas, assim como a perda da concentração
esporadicamente, mas crer convictamente em si mesmo ajudará a
enfrentar os erros e as dificuldades com eficácia e manter o
esforço.
Cada ginasta é único
no sentido de seu nível ótimo de autoconfiança, e os
problemas com o rendimento podem surgir tanto com um grau
escasso de confiança, como quando esta é excessiva.
Falta de
confiança
Na ginástica,
muitos desportistas têm a capacidade necessária para
desenvolver com grande qualidade sua modalidade, mas existe
isto que é algo chamado falta de confiança em suas
capacidades, o que leva a não demonstrar o que é baixa condição
de pressão ou momentos de claves de execução. Por exemplo,
uma ginasta que realiza um movimento na trave de equilíbrio e
falha em sua execução e cai, diante disto é muito provável
que, se, sua rotina requer outro movimento igual, se mostre
vacilante e mais cautelosa, o que gerará automaticamente dúvidas
em sua eficácia.
Quando a dúvida na
capacidade do esportista está presente, o rendimento fica
comprometido: cria ansiedade, rompe a concentração e provoca
indecisões.
Se um ginasta não
tem confiança, se centrará mais em seus pontos fracos que em
suas habilidades, o que impedirá fixar atenção na tarefa
que está realizando, a maior problemática é que a dúvida
comece com um movimento mas pode terminar invadindo toda a
rotina.
Excesso
de confiança
Os ginastas com
excesso de confiança vivem em uma falsa máscara de segurança
em si mesmo, e em muitas ocasiões seu rendimento baixa por
que eles acham que não precisam se preparar tão
exaustivamente para lograr uma dada tarefa.
Dentro
das problemáticas de excesso e falta de confiança, é mais fácil
controlar a primeira porque só será preciso trabalhar o
ginasta para vence-lo. No segundo caso,
o trabalho é mais complexo já que se deve
reestruturar as crenças, sensações e percepções e sua
personalidade.
Ter
confiança
O ter confiança
caracteriza-se por umas expectativas elevadas (realistas e
objetivas) e ajuda ao ginasta a se sentir seguro de si mesmo.
É mais provável que se mantenha tranqüilo e relaxado em
condições de pressão, estado mental e corporal que lhe
permitirão ser mais enérgico quando o resultado de uma
competição está todavia em jogo. Outros pontos importantes
nos quais sai beneficiado um desportista confiante são:
·
Concentração: já que sua mente está livre da
preocupação de que estará executando
mau ou pela aprovação dos demais;
·
Objetivos: se mantém na busca do objetivo,
lutando todo o tempo para alcançá-lo e chegar a obtenção
do potencial máximo;
·
Esforço: se está confiante, permite
desenvolver mais esforço na realização de quantidade, duração
e qualidade;
·
Estratégia: o desportista confiante aceita os
erros e acertos, assumindo o controle da competição com o
objetivo de colocar-se em vantagem;
·
Luta (ímpeto): é não ceder já que abordam
situações difíceis como se fossem desafios e reagem antes
eles com uma resolução maior.
Um fatos
muito ligado a autoconfiança é a auto-eficácia (BANDURA)
Na auto-eficácia um
papel central joga os pensamentos e os juízos que o ginasta
tem sobre sua capacidade para atuar já que isto influirá em
sua conduta, padrões e reações emocionais em um nível
determinado e em uma tarefa concreta. A auto-eficácia parte
da distinção conceitual entre expectativas de eficácias,
que se define como a crença de que um é capaz de executar
com êxito um determinado comportamento requerido para obter
um determinado resultado; e expectativas de resultados que é
a crença de que um determinado comportamento será seguido de
uma determinada conseqüência. Importante é não confundir
este fator com o resultado desportivo já que este se refere
ao resultado desportivo em si e não às conseqüências
deste. Exemplos de expectativas de resultados são: dinheiro
que ganhará, fama, reconhecimento, etc.
Ambos os tipos de
expectativa são antecedentes da ação e atuação e atuarão
como motivadores e guias cognitivas da ação, como
determinantes da escolha das atividades, do esforço, da
persistência nas atividades escolhidas e dos padrões de
pensamento e nas respostas emocionais. BANDURA nos indica que
as expectativas tanto de eficácia como de resultado procedem
de diferentes origens:
- As próprias
vitórias no passado: se as experiências passadas têm se
percebido repetidamente como êxito, então aumenta a
expectativa de auto-eficácia e se são fracassos, baixará, a
influência que tem as próprias expectativas de execução
sobre a eficácia percebida também depende da dificuldade
percebida da tarefa, do esforço realizado, da quantidade de
conselhos recebidos do exterior e dos padrões temporários de
êxito e/ou fracasso. Se o ginasta tem autoconfiança tende a
considerar-se responsável pelos fracassos ou fatores
externos, a um esforço insuficiente de sua parte ou a falta
de estratégia adequada.
- A
observação do comportamento dos demais: o desportista
observa a outros desportistas e começa a formar modelos de
atuação que lhe permitem acreditar que eles podem vencer a
mesma execução. É importante considerar o nível
competitivo do modelo.
- A
persuasão verbal: é a informação que se recebe de
fora, é mais difícil que as anteriores e tende a ser menos
impactante para aumentar a expectativa, no entanto, é muito
poderosa para diminuir-la, esta situação se dá já que o
ginasta tende a ter um amplo repertório de experiências
negativas mais do que positivas. Por exemplo, não se pode
decidir que o desportista sabe que é capaz de estar
concentrado durante toda a competição sem nunca ter estado e
se não tenha treinado para ela.
- A
auto-percepção do estado fisiológico do organismo: se
refere ao estado de ativação do desportista, isto é, que se
o desportista percebe que se encontra superativado é muito
provável que diminua sua expectativa de auto-eficácia.
Conclusão
Como se viu, estes
dois processo, tanto da autoconfiança como a auto-eficácia são
até certo ponto determinantes dentro da prática da ginástica
devido ao grau de complexidade da mesma. Portanto o trabalho
nestas, deve implicar na criação de estratégias muito práticas,
sensíveis e objetivas para fortalecer-las e incrementa-las.
Estas estratégias deverão estar estruturadas com aspectos técnicos,
estratégicos, físicos e psicológicos, desenvolvendo-se
fundamentalmente nos treinamentos.
A psicologia pode
apoiar com técnicas como: reforços positivos e negativos,
exercícios com custo de resposta, estabelecimento de metas
para execuções complexas ou rotinas, controle da ativação
e aprendizagem do relaxamento para início e descansos entre
exercícios, visualização como apoio ao aprendizado da técnica
e fixação da rotina. Apoio com auto-diálogo positivo e
reestruturação cognitiva para a troca de crenças, entre
outras.
Bibliografia
Balaguer
Isabel, Entrenamiento
psicológico en el deporte, Editorial albatros Educación,
Madrid, España, 1994.
Robert
S. Weinber, Fundamentos de psicología del deporte y el
ejercicio físico, Editorial Ariel psicología, Madrid, España,
1996.
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